Todo ano escrevo o artigo de aniversário do escritório. Nos últimos anos, de alguma forma, a inspiração sempre apareceu antes de eu começar a escrever. Uma história, uma experiência, uma ideia que acabava se conectando com aquele momento do CMC. Este ano foi diferente.
O dia 2 de agosto estava chegando e, até o dia 30, eu não tinha ideia do que escrever. Foi quando acordei no dia 31 com uma palavra na cabeça: sentimentos. Várias ideias inundaram minha cabeça e não consegui mais dormir. Tive que começar a escrever. Não é um assunto fácil. Talvez por isso eu tenha decidido não recorrer à inteligência artificial para escrever este artigo. Seria certamente mais fácil, mas a tecnologia ainda não consegue reproduzir algo num texto: sentimento.
Nos últimos três anos, vivi em Madri com minha família. Foram anos importantes para mim, pessoal e profissionalmente. Estar longe também nos permite enxergar algumas coisas de outra maneira. Às vezes, é preciso alguma distância para perceber o valor daquilo que sempre esteve perto.
E, durante esses três anos, o CMC continuou crescendo. Conquistamos novos clientes, participamos de operações cada vez mais relevantes e complexas, novos sócios e advogados chegaram e nossa sociedade se fortaleceu.
Recentemente, Alamy e eu estivemos juntos em Nova York, visitando clientes, escritórios e bancos, e construindo novas relações. Em alguns momentos daquela viagem pensei em como é interessante que, 16 anos depois, continuamos fazendo aquilo que sempre fizemos: abrindo caminhos para o escritório.
Talvez eu só tenha conseguido passar esses três anos fora porque nunca estive realmente sozinho nessa caminhada.
Em algum momento, comecei a sentir que o escritório precisava da minha presença. Mas percebi também que eu precisava dessa presença. Existe uma diferença importante entre precisar e depender. Dependência é fragilidade – é o que acontece quando uma estrutura não se sustenta sem uma peça específica. Precisar é outra coisa. Precisar é escolha. É reconhecer que, mesmo podendo caminhar sozinho, você é melhor quando caminha acompanhado. Após 16 anos, tenho orgulho de saber que o CMC não depende exclusivamente de seus fundadores. Talvez essa seja, inclusive, uma das nossas maiores conquistas.
O escritório cresceu nos últimos anos. Meus sócios assumiram responsabilidades, nossos advogados cresceram, novos clientes confiaram em nós e continuamos participando de operações importantes e complexas. O CMC mostrou que é maior do que qualquer um de nós individualmente. Mas isso não significa que deixamos de precisar uns dos outros. Talvez seja justamente o contrário. Precisamos uns dos outros de formas diferentes e em momentos diferentes. Em determinados momentos, alguém precisa segurar as pontas. Em outros, alguém novo chega para trazer experiência, apoio e novas ideias. E há momentos em que sentimos que é hora de estar mais perto novamente. Minha decisão de voltar ao Brasil tem muito desse sentimento. Não estou voltando porque o escritório não tenha caminhado sem mim. Os últimos três anos provaram exatamente o contrário. Estou voltando porque quero estar perto. Quero estar perto dos meus sócios e dos nossos advogados. Quero estar perto dos nossos clientes. Quero participar das conversas, das decisões, das dificuldades e das conquistas.
Ao longo desses 16 anos, clientes mudaram de empresas e continuaram próximos. Clientes nos apresentaram a outros clientes. Relações profissionais se transformaram em relações pessoais. E pessoas que acreditaram em nós ajudaram, direta ou indiretamente, a construir o escritório que somos hoje. Quando penso nas conquistas deste último ano, naturalmente penso nas operações que fizemos, nos novos clientes que chegaram, nas viagens e nas novas oportunidades que estão se abrindo. Mas, escrevendo este artigo, percebo que o que mais importa para mim não são apenas as conquistas.
São as pessoas e as relações que existem por trás delas.
Um escritório de advocacia pode ser construído com conhecimento técnico, trabalho e resultados. Mas não acredito que seja possível construir uma história de 16 anos apenas com isso. É preciso confiança, amizade, empatia, generosidade, reciprocidade e, sobretudo sentimentos.
No ano passado, quando comemoramos 15 anos, escrevi sobre a chegada à adolescência.
Agora chegamos aos 16.
E olho para o CMC e vejo um escritório muito diferente daquele que fundamos. Novos sócios. Novos advogados. Novos clientes. Operações mais complexas. Novos mercados. Novos projetos. Novos desafios. Tudo isso me deixa feliz. Porque talvez uma das maiores realizações de quem começa alguma coisa seja perceber, anos depois, que aquilo já não pertence apenas a quem começou.
O CMC de 16 anos não é mais o escritório que nós fundamos.
É o escritório que todos nós construímos.
Juntos.
Feliz 16 anos, CMC.
Por Henrique Martins, sócio do Candido Martins Cukier.